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Curso da Emater/RS-Ascar prepara jovens para a sucessão rural e permanência no campo

Entre eles está Alan Adam dos Santos, de 24 anos, que trabalha com os avós na produção leiteira no município de Lindolfo Collor. Imagem: Gustavo Marchesan, Emater/RS-Ascar
Foto de capa Curso da Emater/RS-Ascar prepara jovens para a sucessão rural e permanência no campo
Entre eles está Alan Adam dos Santos, de 24 anos, que trabalha com os avós na produção leiteira no município de Lindolfo Collor. Imagem: Gustavo Marchesan, Emater/RS-Ascar
Publicado em
10/10/2026

A permanência dos jovens no campo é um dos principais desafios da agricultura na atualidade. Pesquisa realizada pela Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do RS (Fetraf-RS) revela que a população rural de 15 a 29 anos caiu 35% entre 2012 e 2024 na região Sul. No Estado, apenas 2% dos agricultores familiares tem menos de 25 anos.

"A importância da permanência ou até mesmo a escolha dos jovens de retornar ao meio rural se dá por diversos fatores, para ter o rural com pessoas, com comunidades, mas muito pela produção de alimentos. Os jovens têm um papel fundamental nessa possibilidade do plantar, do colher, de produzir alimentos que nos sustentem", salienta a extensionista rural da Emater/RS-Ascar, Fernanda Gilli.

Diversas iniciativas buscam estimular a participação dos jovens na agricultura. Uma delas é o curso promovido pela Emater/RS-Ascar de Empreendedorismo e Desenvolvimento para a Juventude Rural, que em 2026 chegou à 6ª edição. Somente neste ano, 75 jovens de 27 municípios da região administrativa de Porto Alegre da Instituição concluíram a formação. Entre eles está Alan Adam dos Santos, de 24 anos, que trabalha com os avós na produção leiteira no município de Lindolfo Collor.

"A minha principal fonte de atração sempre foi visitar a Expointer, os maquinários, sempre fui apaixonado por isso. E sempre pensei 'um dia quero poder trabalhar com eles também'. E ficar na propriedade acabou me motivando. Eu via que tinha potencial, que eu gostava de fazer isso, de lidar com os animais, trabalhar com trator e com essas coisas, e acabou se conectando uma coisa na outra e me fez ficar na propriedade", conta o jovem.

Apesar do amor pela terra e pelos animais, Alan enfrentou desafios para dar continuidade à atividade desenvolvida pela família. "Tive que fazer muita correção de solo, expandir áreas, construção de galpões, melhoramento genético. Enquanto a gente estava nesse processo de transformação, a margem de lucro era quase zero. A gente precisava estar muito motivado e ter muita resiliência para continuar", relata o produtor, ressaltando ainda a falta de mão de obra, alta no preço dos insumos e acesso ao crédito como entraves para a reestruturação da propriedade.

Para a extensionista rural da Emater/RS-Ascar Flávia Kaufmann Samboranha, a comunicação entre diferentes gerações também pode ser um desafio no processo de sucessão rural. "Esse é um desafio, o diálogo entre as gerações e os objetivos de cada uma", avalia.

CAPACITAÇÃO PARA IR MAIS LONGE

O curso de Empreendedorismo e Desenvolvimento para Juventude Rural da Emater/RS-Ascar aborda diversos temas relacionados à condução das propriedades, como gestão, sistemas produtivos, recursos naturais e tecnologias aplicadas na agricultura familiar. O propósito é preparar os participantes para os desafios do dia a dia, com ferramentas e informações que podem contribuir para a evolução das propriedades.

"O curso me abriu oportunidades, me abriu a mente sobre as capacidades que a propriedade tem, todo o potencial que tu podes explorar numa área. Também foram bem prestativos em ajudar no meu empreendimento. O curso me ajudou muito a olhar para a propriedade com outros olhos", destaca Alan.

"Vejo ele pensando no futuro e o curso dá essa possibilidade. Oferece esse objetivo, com profissionais que têm experiência com jovens de outros municípios, com outras realidades. Então essa troca foi muito boa", complementa Flávia.

Segundo as extensionistas e o próprio jovem, além de conhecimento, ter resiliência, apoio e acesso a políticas públicas é essencial para a evolução da juventude rural. "Ótimas estratégias passam principalmente por políticas públicas, desde um crédito específico para a juventude ou um programa de Estado. E oferecer cursos, dias de campo ou atividades que tirem eles da rotina e mostrem uma possibilidade real de trabalho e desenvolvimento", sugere Flávia Samboranha.

"Para quem é jovem, é um futuro promissor, mas vai enfrentar dificuldades, assim como em qualquer setor. Mas, é preciso determinação, estipular uma meta e trabalhar em cima disso. Hoje não é só questão de dinheiro, como a qualidade de vida também. A gente tem que levar todos os pontos em cima de uma planilha e ver quais são as vantagens de ficar na agricultura", adiciona Alan dos Santos.

"É importante estar atento àquilo que pode fazer a diferença desses jovens decidirem ficar no campo. Não só a infraestrutura, mas também acesso a conhecimento, a novas tecnologias, o respeito ao modo de vida dessas famílias. Que [o meio rural] seja um lugar bom para se viver e que eles escolham estar ali por boas condições e qualidade de vida", acrescenta Fernanda Gilli.

Quando há conhecimento, apoio e confiança, fica mais fácil planejar os próximos passos e sonhar com o que ainda está por vir. "A propriedade é um legado, está há quase 100 anos na família. Eu quero dar continuidade e transformá-la em uma propriedade atrativa. Para mim, a propriedade ideal é aquela que consiga se manter mesmo com as dificuldades externas", finaliza Alan.

 

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