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ARTIGO: Planejamento de 2027 começa agora e a pesquisa precisa entrar no ciclo anual de decisão

Por: Juliana Saboia. Imagem: Arquivo Pessoal
Foto de capa ARTIGO: Planejamento de 2027 começa agora e a pesquisa precisa entrar no ciclo anual de decisão
Por: Juliana Saboia. Imagem: Arquivo Pessoal
Publicado em
23/09/2026

Entre setembro e outubro, a agenda das lideranças muda de natureza. As reuniões de acompanhamento de resultado dão lugar às planilhas de orçamento, as metas voltam para a mesa e as áreas começam a disputar recursos para o ano seguinte. É um período de escolhas: onde crescer, o que lançar, quais clientes priorizar, que posicionamento sustentar. E é também, curiosamente, o período em que a pesquisa costuma ficar fora da conversa.

 

Não por desinteresse, mas é que na maior parte das empresas, a pesquisa ainda é tratada como ferramenta de socorro. Ela aparece quando as vendas caem sem explicação clara, quando um concorrente muda as regras do jogo ou quando um lançamento não entrega o que se esperava. Nesses momentos, a pergunta é urgente, o prazo é curto e o orçamento precisa ser encontrado em alguma rubrica que não foi pensada para isso. A pesquisa entra atrasada e o que deveria orientar a decisão acaba servindo apenas para explicá-la depois.

 

A dúvida de março já existia em outubro

Boa parte das dúvidas que surgem ao longo do ano é previsível no momento do planejamento. Se o plano prevê expansão para uma nova região, a decisão vai depender de informações sobre demanda, concorrência e perfil do consumidor local. Se prevê um novo produto, será preciso validar conceito, preço e disposição de compra. Se a meta envolve reter ou ampliar a base atual, a empresa precisará entender satisfação, motivos de abandono e expectativas que ainda não foram atendidas.

 

Essas não são dúvidas imprevistas, são consequências diretas das escolhas feitas no planejamento. A diferença entre as empresas não está em ter ou não ter essas perguntas, mas em antecipá-las ou reagir a elas. E essa diferença tem efeito sobre a qualidade da própria pergunta.

 

Quando a pesquisa é acionada sob pressão, ela tende a responder ao que é urgente, não necessariamente ao que é importante. A pergunta fica estreita: "por que caímos no último trimestre?", em vez de "o que mudou no comportamento do nosso cliente e o que isso significa para as nossas escolhas nos próximos anos?". A primeira explica um sintoma. A segunda orienta uma estratégia.

 

E quando a pesquisa é planejada?

Incluir a pesquisa no ciclo anual de decisão não é uma questão burocrática de calendário. É uma mudança na forma como a empresa se relaciona com a informação, e uma mudança que produz ganhos concretos.

 

O primeiro é a qualidade das perguntas. Com tempo, é possível partir da decisão que precisa ser tomada e perguntar: que informação mudaria o nosso curso se fosse diferente do que esperamos? Essa é a pergunta que separa a pesquisa que confirma hipóteses daquela que efetivamente orienta escolhas.

 

O segundo é a previsibilidade de orçamento. Pesquisa que entra no planejamento tem recurso reservado, dimensionado de acordo com o risco da decisão que apoia. Pesquisa que entra na emergência disputa verba com outras urgências e, muitas vezes, é reduzida ao que cabe, não ao que é necessário.

 

O terceiro é o envolvimento das lideranças. Quando diretores e gestores participam da definição do que precisa ser investigado, os resultados chegam a um público que já está comprometido com as perguntas. A pesquisa deixa de ser um relatório entregue a alguém e passa a ser um insumo esperado por quem vai decidir.

 

O quarto é o tempo. Pesquisa exige desenho metodológico, campo, análise e interpretação. Se a decisão de expansão precisa ser tomada no primeiro trimestre, a informação que a sustenta precisa ser produzida antes disso. Deixar para depois significa, na prática, decidir sem ela.

 

Onde a pesquisa entra no planejamento

Não se trata de pesquisar tudo, mas de identificar onde a informação tem maior peso sobre a decisão.

 

Em mercado e expansão, ela reduz o risco de entrar em praças, segmentos ou canais com base apenas em percepção interna. Em posicionamento, ajuda a verificar se a imagem que a empresa acredita transmitir corresponde à que o mercado efetivamente percebe. Em produto, permite testar antes de investir, ajustando proposta, preço e comunicação. No relacionamento com clientes, revela o que sustenta a permanência e o que provoca a saída, muitas vezes por motivos que não aparecem nos indicadores comerciais.

 

Há ainda um ganho menos evidente: a recorrência. Quando a pesquisa faz parte do ciclo anual, alguns indicadores podem ser acompanhados ao longo do tempo, com a mesma metodologia. A empresa passa a comparar a si mesma, identificar tendências e perceber mudanças antes que elas se transformem em problema. Um dado isolado mostra um momento. Uma série histórica mostra um movimento.

 

Três perguntas para a próxima reunião de planejamento

Para começar, não é preciso um grande projeto. Basta incluir três perguntas na agenda das reuniões que já estão acontecendo. Quais são as decisões mais relevantes que 2027 vai exigir da empresa? Quais delas dependem de informações que hoje não temos, ou que temos apenas como percepção? E quando precisamos dessas informações para decidir a tempo?

 

As respostas permitem mapear as necessidades, priorizar o que tem maior impacto e reservar orçamento de forma proporcional ao risco envolvido. É um exercício simples, mas que muda o papel da pesquisa dentro da organização.

 

Na Palco, partimos de um princípio: dado sem interpretação não é insumo estratégico, é apenas registro. Mas há um passo anterior a esse. Para que a interpretação aconteça, é preciso que a pergunta certa tenha sido feita no momento certo. E o momento certo, para a maior parte das decisões do próximo ano, é agora. Planejar é escolher. E escolher bem depende de saber o que perguntar antes que a pergunta se torne urgência.

 
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br antonio prado

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